Classes da Asa Delta e as suas diferenças

O céu deixou de ser um espaço desconhecido, uma zona inatingível e inalcançável para tornar-se um lugar lúdico, aberto a novas experiências e actividades.
À semelhança de Ícaro que, na mitologia grega, voou em direcção ao sol, a Asa Delta proporciona uma viagem cheia de adrenalina na subida, ao contrário da maioria dos desportos radicais, que proporcionam adrenalina na descida (como o Bungee Jumping, o Sky Dive e o Pára-quedismo).
Poder subir mais e mais, ficar bem perto do céu e sentir o mundo inteiro a seus pés é uma sensação que não quererá perder. Este é o desafio da Asa Delta! Supere-se a si mesmo numa aventura sem limites, não tenha receio de queimar as asas, Ícaro não conseguiu terminar a sua jornada porque, na altura, não praticava Asa Delta!

Asa Delta, o que é?

A Asa Delta é uma das disciplinas mais entusiasmantes do voo livre, cujo objectivo é voar utilizando as forças da natureza.
O praticante salta de uma rampa colocada no alto de uma montanha, preso ao cinto de uma asa delta, e plana de forma suave e tranquila procurando correntes de ar quente ascendentes (conhecidas como térmicas). Na aterragem, retorna para um local próximo, normalmente um descampado no sopé da mesma montanha de onde partiu.
Contudo, garantir uma prova com êxito exige a aquisição de um conjunto de conhecimentos (em relação ao vento, às correntes de ar e às condições meteorológicas), uma boa preparação física, uma correcta percepção da natureza do voo, assim como, ter em conta o material a utilizar.
Depois de diversas aulas terrestres qualquer pessoa estará pronta a ‘rasgar’ os céus.

As classes da Asa Delta

A Asa Delta ramifica-se em duas classes: a classe 1 e a classe 2.

A Classe 1

Na classe 1, encontra-se a classe das asas flexíveis. Este segmento é constituído pela tradicional Asa Delta, composta por tubos de alumínio e dacron, uma espécie de nylon semelhante ao usado na confecção da vela dos barcos. O comando da asa flexível é dado pelo deslocamento do peso do piloto; sendo que este conecta-se àquela através do "bullet", ficando pendurado no centro de gravidade da asa.
Quando o piloto balanceia o corpo para qualquer um dos lados, a asa acompanha os movimentos e vira também; mais especificamente: quando o piloto projecta o corpo para a frente acelera a velocidade da asa; e quando o piloto oscila para trás diminui a velocidade daquela.

A Classe 2

A classe 2 corresponde à classe das asas rígidas. É uma categoria recente e obedece a uma estrutura sólida. É construída em fibra de carbono, tendo o seu bordo de ataque completamente rijo, proporcionando um perfil bem mais aerodinâmico. O comando assemelha-se ao dos aviões e é feito através de flaps e ailerons; cuja finalidade é facilitar a adaptação dos pilotos ao novo tipo de asa, com muito menos esforço.

Diferenças principais entre as classes de Asa Delta:

Classe 1:

  • Mais leve (pesa cerca de 30 kg);
  • Atinge uma velocidade final de 110/120 km/h;
  • Maior esforço físico por parte do praticante;
  • Manuseamento mais difícil;
  • Tem um tipo de comando que obedece ao deslocamento do peso do corpo.

Classe 2:

  • Mais pesada (pesa cerca de 40 kg);
  • Mais rápida (pode atingir uma velocidade de 130 km/h)
  • Custos avultados
  • Tem um comando aerodinâmico
  • No pouso é auxiliado por flaps

Apesar da Asa Delta ser um engenho bem mais caro do que outros, mais pesado e mais difícil de dominar, é um desporto que continua em franco progresso.

Equipamentos necessários para praticar Asa Delta

Praticar Asa Delta implica, antes de mais, a consciência pelo perigo, por isso, o praticante deve privilegiar todos os aspectos que envolvam o capítulo da segurança, para que não desafie a natureza nem coloque em risco a sua vida.
Revela-se imprescindível a cada piloto certificar-se que tudo o que precisa para iniciar a sua aventura e ter êxito no voo está presente; desde as condições meteorológicas, aos meios de segurança, acessórios e utensílios que vai precisar.
Os equipamentos a utilizar são: a asa delta; o cinto de voo; o pára-quedas de emergência, o capacete e dois mosquetões.
Contudo, ainda fazem parte do arsenal acessórios como: as luvas, umas botas de montanha, um altímetro e um rádio de transmissão.
O equipamento completo não ultrapassa os 15 kg e pode ser transportado numa mochila.

Com a junção de todos estes equipamentos e acessórios, estão garantidas todas as condições de segurança e, assim, pode desfrutar de um voo excitante a grandes altitudes durante várias horas. Em dias bons, os pilotos só têm mesmo que aterrar quando o sol se põe.
Assim como a história de Ícaro que perdura até aos nossos dias, esta será uma experiência que o marcará e ficará gravada na sua memória para todo o sempre.

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